Uma empresa que renasce
Dona de 50% do mercado brasileiro de silos, a Kepler Weber quase desapareceu do mercado com dívidas de R$ 500 milhões. Agora, quer aproveitar o bom momento do agronegócio para voltar a crescer
Por Nicholas Vital
Na semana passada, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou que a safra de grãos 2009/2010 deve atingir a marca de 146,31 milhões de toneladas. Caso as previsões se confirmem, esta será a maior colheita da história do Brasil. Se, por um lado, a safra recorde mostra o potencial produtivo do País, por outro, evidencia um problema que há anos assola o campo: a falta de estrutura para a armazenagem dos grãos. E é essa brecha que a gaúcha Kepler Weber, dona de 50% do mercado brasileiro de silos, pretende ocupar.

"No Paraná existem produtores estocando seus grãos em lugares impensáveis, como ginásios poliesportivos"
Anastácio Fernandes Filho, presidente da Kepler Weber
Com um faturamento de R$ 250 milhões em 2009, 33% menos do que em 2008, a empresa quer recuperar o tempo perdido e já começa a mostrar as suas garras. Recentemente, vendeu dois dos maiores silos do Brasil, com capacidade para 18 mil toneladas cada, para a Vale do Rio do Doce. Nos últimos sete meses, suas ações na Bovespa registraram alta de quase 300%. Os executivos, por sua vez, são mais cautelosos. “Estamos conservadoramente otimistas. Hoje estamos bem, mas não sabemos como será a próxima safra”, sentencia Anastácio Fernandes Filho, presidente da Kepler Weber.
A cautela é justificada pelo histórico da empresa. Em 2004, um dos anos recorde de safra, a companhia viveu uma euforia semelhante e quase quebrou. No ano seguinte, fez uma série de investimentos para aumentar sua capacidade produtiva, mas, diante de problemas inesperados, como a seca nas lavouras, queda dos preços dos grãos e desvalorização cambial, viu suas vendas despencar.
A cautela é justificada pelo histórico da empresa. Em 2004, um dos anos recorde de safra, a companhia viveu uma euforia semelhante e quase quebrou. No ano seguinte, fez uma série de investimentos para aumentar sua capacidade produtiva, mas, diante de problemas inesperados, como a seca nas lavouras, queda dos preços dos grãos e desvalorização cambial, viu suas vendas despencar.
A dívida junto a seus credores chegou aos R$ 500 milhões. A situação estava insustentável. Ante a falta de perspectivas, os acionistas, entre eles o Banco do Brasil e a Previ, com 17,5% cada, trouxeram o executivo Anastácio Fernandes Filho, especialista em reestruturação de empresas em dificuldades.

Fernandes Filho mudou radicalmente a diretoria e implementou um plano de recuperação que reduziu o número de funcionários em 12%. “Também tivemos que negociar com os principais credores. Ainda temos R$ 140 milhões em dívidas, mas elas já estão equacionadas. Temos prazo de 13 anos para quitar tudo”, conta Fernandes Filho.
Com a casa em ordem, era hora de voltar a brigar pelo mercado perdido – sua participação no mercado brasileiro de silos chegou a cair de 60%, nos tempos áureos, para 20%. Nos últimos anos, porém, a empresa recuperou a liderança e viu seu market share subir para 50%. Agora, com uma safra recorde, a expectativa é de obter o melhor desempenho dos últimos dez anos.
Com a casa em ordem, era hora de voltar a brigar pelo mercado perdido – sua participação no mercado brasileiro de silos chegou a cair de 60%, nos tempos áureos, para 20%. Nos últimos anos, porém, a empresa recuperou a liderança e viu seu market share subir para 50%. Agora, com uma safra recorde, a expectativa é de obter o melhor desempenho dos últimos dez anos.

De acordo com especialistas, hoje existe um déficit de 15% na capacidade instalada para armazenagem no Brasil. Se levarmos em consideração os números da safra 2009/2010, seria o equivalente a 25 milhões de toneladas. “Existe um apagão logístico no Brasil. Diante da safra recorde, vai faltar lugar para estocar os grãos", afirma Francis Kinder, da consultoria Agra FNP.
“A demanda por silos será forte nos próximos anos, pois existe a pressão do campo”, continua o analista. O problema já atinge muitas regiões. “No Paraná, por exemplo, existem fazendeiros estocando a produção em locais impensáveis, como ginásios poliesportivos”, diz Fernandes Filho. A Kepler Weber quer, de fato, entrar com força nesse jogo.

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Os planos da GP Investimentos para a indústria de laticínios extrapolam as fronteiras brasileiras. A GP Dairy, seu braço no setor,está negociando a compra do controle da La Serenissima, uma das maiores produtoras de leite e derivados da Argentina. No ano passado, a empresa faturou cerca de US$ 500 milhões. Controlada pela família Mastellone, sobrenome tradicional na indústria argentina, a empresa tem uma das principais plantas de laticínios do país, localizada na cidade de General Rodríguez. A GP herdaria também uma vasta rede de distribuição não apenas na Argentina, mas em países vizinhos, inclusive no próprio Brasil, onde a La Serenissima é dono da Leitesol, com sede em Bragança Paulista (SP). Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a GP não quis comentar a informação. A La Serenissima vem sendo regularmente assediada por grandes grupos internacionais do setor. No ano passado, a Brasil Foods fez uma oferta pela empresa – ver RR – Negócios & Finanças nº 3.660. No entanto, a Danone, sócia da companhia argentina em uma joint venture voltada à distribuição de laticínios, atravessou a negociação. No fim das contas, nem brasileiros, nem franceses; a La Serenissima permaneceu nas mãos da família. Os Mastellone, no entanto, vêm enfrentando alguns percalços financeiros, dos quais a GP tenta se aproveitar para fisgar o ativo. Afetada pela retração econômica na Argentina e pela crescente concorrência com grupos internacionais, a La Serenissima acumula uma dívida de quase US$ 250 milhões. A investida sobre a La Serenissima faz parte de um projeto maior da GP. Ao mesmo tempo em que fortalece sua posição no mercado brasileiro – tornou-se um dos cinco principais investidores do setor depois da recente associação com a Laep/Parmalat – a gestora de private equity pretende transformar a GP Dairy em um player internacional. A ideia é montar um colar de ativos em diversos países da América do Sul, notadamente no Mercosul. Além da Argentina, a empresa está analisando ativos no Chile e Uruguai.