MERCADO LIVRE

quarta-feira, 24 de março de 2010

KEPL3 - Acho que a Kepler Weber vai fazer a festa este ano. Leiam, estudem e tirem suas conclusões.

A falta de armazéns se agravou de Norte a Sul do país com a elevada produção de soja. Propriedade na Bahia guarda a colheita em silo bag para não ter de escoar grãos em época de transporte caro e preços baixos Safra 2009/10

Produção recorde pressiona armazéns e inflaciona o frete

Transporte consome parcela maior da renda do produtor neste ano, e agrava a crise provocada pela queda nos preços dos grãos
Publicado em 23/03/2010 | José Rocher
O frete para grãos subiu de 5% a 50% além do normal nesta safra. Esta­­tísticas do Paraná e Mato Grosso, principais produtores brasileiros de milho e soja, provam a ocorrência de inflação. Os transportadores argumentam quem o setor está se valendo da procura elevada, provocada pela safra recorde de soja, para recuperar renda. O Paraná colhe 4 milhões de toneladas de soja a mais que no ciclo anterior (14 milhões no total). No Brasil, um volume adicional superior a 10 milhões (67 milhões ao todo), apurou a Expedição Safra RPC.
De Sorriso (MT) aos portos de Paranaguá (PR) ou Santos (SP), os preços estão 5% acima dos valores considerados normais para esta época, segundo o Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea). Era aguardado reajuste de 15%, mas os índices estão entre 20% e 25%. Paga-se R$ 212/t até Santos.
Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
Jonathan Campos/ Gazeta do Povo / Mais da metade da safra depende 
de transporte rodoviário, tanto no Paraná como no Brasil Ampliar imagem
Mais da metade da safra depende de transporte rodoviário, tanto no Paraná como no Brasil
Gargalo abre mercado à indústria
O mesmo problema que aperta as contas do produtor rural amplia a renda das indústrias de caminhões. As vendas de caminhões pesados entre janeiro e fevereiro foram 66,4% maiores que as do mesmo período de 2009, conforme índice do setor. Acabam de ser vendidas 6,5 mil unidades. Considerando caminhões de todos os tamanhos, a indústria espera distribuir pelo menos 30% mais veículos até o fim do ano. O setor atribui o aumento da procura à safra recorde e à recuperação do consumo.
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De Cascavel, Oeste do Paraná, a Paranaguá, os preços subiram 50%, de R$ 60 para R$ 90 a tonelada, conforme avaliação do próprio Setcepar, o maior dos oito sindicatos das empresas de cargas do estado. A comparação foi entre as médias do primeiro mês da colheita de verão (fevereiro) de 2009 e 2010. Agora, com mais de 60% da produção colhida e silos insuficientes, o setor chega a pagar R$ 100/t até o porto.
“Os armazéns estão carregados de milho, trigo e feijão e não há espaço suficiente para a soja e o milho novo. A falta de armazéns, a falta de caminhões e a safra recorde de soja provocaram o aumento exagerado dos preços”, avalia Nilson Hanke Ca­­margo, analista de infraestrutura da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Quem não tem espaço, se obriga a entregar a produção para exportação ou esmagamento.
O aumento acima do esperado ocorre em péssima hora para os agricultores. A margem de lucro do setor caiu neste ano. O custo da saca de soja é de R$ 29,2 em Londrina, por exemplo, sem considerar remuneração pelo uso da terra, calcula a Companhia Nacio­nal de Abastecimento (Conab). Preço pago ao produtor caiu a R$ 30,5 por saca.
O custo da Conab considera gasto de 2,85% em transporte fora da fazenda. No entanto, para quem leva a soja até o Porto de Paranaguá, percorrendo 490 quilômetros, a realidade é bem diferente. Gasta-se R$ 4,8 por saca de frete – 15% do valor da saca. É uma fatia de renda preciosa para o produtor, que recebia R$ 10 a mais por saca um ano atrás.
Os reajustes estão compensando aos poucos a defasagem no preço do frete suportada ano passado, quando houve quebra de safra no estado e crise internacional de consumo, afirma Sérgio Malucelli, diretor-executivo da Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Fetranspar), que abrange oito sindicatos e uma associação. “Ainda trabalhamos com defasagem de 14% no transporte em geral e de 23% no setor de cargas de frigoríficos.”
Os transportadores dizem que os preços cairão em abril. “Ano passado, trabalhamos com frete 10% menor que em 2008. Os preços atuais estão acima do normal, mas em 15 dias vão começar a baixar”, afirma Laudio Luiz Soder, diretor do Setcepar dedicado ao setor de agronegócio.
A safra maior provoca mudança inclusive na transferência de caminhões do Paraná para o Centro-Oeste. A parte da frota deslocada para o Mato Grosso e Goiás, por exemplo, foi reduzida. Veículos que eram remetidos para lá pelas transportadoras, neste ano ficam para atender a produção extra paranaense. Ainda assim, são insuficientes para cobrir a demanda. “Estão todos na estrada”, diz Soder.
Mais longe dos portos e esmagadoras, em Mato Grosso e Goiás os produtores e cooperativas têm ainda mais dificuldade em encontrar caminhões para tirar a safra das fazendas ou armazéns.

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